Observo ainda as opressões todas que se cometem debaixo do
sol:
aí estão as lágrimas dos oprimidos, e não há quem os
console;
a força do lado dos opressores, e não há quem os console.
Então eu felicito os mortos que já morreram, mais que os
vivos que ainda vivem.
E mais feliz que ambos é aquele que ainda não nasceu, que
não vê a maldade que se comete debaixo do sol.
Observo também que todo trabalho e todo êxito se realiza
porque há uma competição entre companheiros. Isso também é vaidade e correr
atrás do vento.
O insensato cruza os braços
e vai se consumindo.
Mais vale um bocado de lazer
do que dois bocados de trabalho,
correndo atrás do vento.
Observo ainda outra vaidade debaixo do sol: alguém sozinho,
sem companheiro, sem filho ou irmão; todo o seu trabalho não tem fim, e seus
olhos não se saciam de riquezas: “Para quem trabalho e me privo de felicidade?”
Isso também é vaidade e trabalho penoso.
Mais vale dois que um só, porque terão proveito do seu
trabalho. Porque se caem, um levanta o outro; quem está sozinho, se cai, não
tem ninguém para levantá-lo. Se eles se deitam juntos, podem se aquecer; mas
alguém sozinho como vai se aquecer?
Alguém sozinho é derrotado, dois conseguem resistir, e a
corda tripla não se rompe facilmente.
Mais vale um jovem pobre e sábio
do que um rei velho e insensato
que não aceita mais conselho.
Mesmo que ele tenha saído da prisão para reinar
e mesmo que tenha nascido mendigo para exercer sua realeza,
vejo todos os viventes que se movem debaixo do sol ficarem
com o jovem, o usurpador, e ele permanece frente a uma multidão sem fim.
Porém aqueles que vêm depois não se alegrarão com ele,
porque isso também é vaidade e procura do vento.
Cuida de teus passos quando vais à Casa de Deus:
aproximar-se para ouvir vale mais que o sacrifício oferecido pelos insensatos,
mas eles não sabem que fazem o mal.
Ecl 4, 1-17