Não
é pois todo amor alvo divino
mais aguda seta que o destino?
Não
é motor de tudo e nossa única
fonte
de luz, na luz de sua túnica?
O
amor elide a face... Ele murmura
algo
que foge, e é brisa e fala impura.
O
amor não nos explica. E nada basta,
nada
é de natureza assim tão casta
que
não macule ou perca sua essência
ao
contato furioso da existência.
Nem
existir é mais que um exercício
de
pesquisar de vida um vago indício,
a
provar a nós mesmos que, vivendo,
estamos
para doer, estamos doendo.
Carlos
Drummond de Andrade
Relógio
do Rosário
fragmento